Publicada mensalmente desde 1902 pelos jesuítas portugueses, a revista Brotéria é uma publicação cultural de inspiração cristã.

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Há 120 anos atrás, três professores de um colégio na Beira Baixa fundaram a Brotéria: Revista de Sciencias Naturaes. Na altura publicavam-se artigos de botânica, zoologia e genética, em muitos dos quais foram classificadas novas espécies de animais e plantas. Pouco tempo depois, passaram também a surgir artigos sobre química, física, medicina, biologia e agricultura. Em 1955, nasceu mais um ramo da Brotéria, que continuou a crescer até hoje — a revista de Cristianismo e Cultura.

120 anos depois, a Brotéria já não é só uma revista. Hoje faz parte do projeto multidisciplinar do centro cultural no Bairro Alto e de uma forma redonda de ver aquilo que nos rodeia: oferecendo uma reflexão escrita serena e rigorosa sobre o mundo e contribuindo para a discussão dos principais temas de hoje na literatura, política, arte, história, filosofia, religião e bioética.


Volume 195 - 6, Dezembro 2022


José Frazão Correia SJ

Qual será o futuro do cristianismo e que forma poderá tomar a Igreja do futuro, é a interrogação que coloca T. Halík no seu mais recente livro: A tarde do cristianismo. O tempo da transformação. A imagem impactante das Igrejas fechadas e vazias que ficou dos tempos de confinamento é interpretado como grande sinal de alerta para o que pode acontecer à Igreja num futuro próximo se não souber colher o alcance profético deste tempo de crise. Enquanto limiar de uma nova época para o cristianismo, apresenta-se, de facto, como oportunidade de transformação significativa para a Igreja. Porque a forma gregoriana-tridentina deixou de estar adaptada à conjuntura presente, urge implicar-se no discernimento de outra forma que esteja à altura da força espiritual do Evangelho e da exigência da missão da Igreja.


Francisco Sarsfield Cabral

Sente-se hoje um certo cansaço com a política num quadro liberal, até nos Estados Unidos, país que tinha sido poupado às derivas totalitárias europeias antes da II Guerra Mundial. As sociedades democráticas estão a perder terreno para as sociedades onde vigoram regimes autoritários, se não mesmo ditatoriais. Os custos que a liberdade política acarreta para a vida quotidiana das pessoas será uma das causas. Também se poderá falar de um certo cansaço com os debates e as divergências que marcam a democracia pluralista, lugar onde chocam opiniões contraditórias. A isto se junta algum alheamento do debate público por parte de quem não está na vida política, que as querelas partidárias tendem a favorecer. Não seria mais cómodo o cidadão comum depositar a sua confiança em políticos autoritários, que tratariam da res publica, libertando os restantes desse penoso encargo? Importa ter presente que quem preza a liberdade deve estar disponível para pagar os custos que lhe são inerentes.


Giacomo Costa SJ

O Documento de trabalho para a Fase Continental do Sínodo dos Bispos sobre Sinodalidade (2021-2024) é fruto das sínteses que resultaram da consulta ao povo de Deus na primeira fase do processo sinodal e passará a ser, agora, o centro da escuta, do diálogo e do discernimento das Assembleias sinodais continentais, entre janeiro e março de 2023. A primeira parte do Documento é dedicada aos frutos da experiência de caminho em comum; a segunda parte, mais desenvolvida, aprofunda intuições, interrogações e questões que emergiram durante a escuta; a terceira parte assinala os passos identificados para que as Igrejas locais possam assumir um estilo sinodal.


Domingos Tavares Campos

Para compreender a “operação militar especial” de Vladimir Putin contra a Ucrânia, seria fundamental entender a doutrina eurasiana do seu principal ideólogo, Alexandr Dugin, e de que modo se constrói a memória coletiva, instrumen-talizando religiões e sentimentos. A progressiva reabilitação da Igreja Ortodoxa Russa, exponenciada durante a Segunda Guerra Mundial, durante o consolado de Estaline, abre azo à usurpação da sua autonomia, colocando-a ao serviço dos interesses do Partido, especialmente no que toca ao topo da hierarquia episcopal. Daí surge a recuperação da figura de Estaline, análoga à do filho pródigo, que reconhece os seus erros e a casa torna, ao seio eclesiástico, findando as perse-guições e dando-lhe aparente liberdade de novo.


João Maria Carvalho

«Oh bless thee continuous stutter / of the word being made into flesh» [«Oh abençoado sejas, contínuo gaguejar / da palavra tornando-se carne»]. Nestes versos de Leonard Cohen, surpreende-se uma estranha relação entre o gaguejo e o mistério da Encarnação. Partindo das suas palavras, tecem-se breves excursos, arriscando aproximações a esse verbo balbuciante, gaguejante, que delira ao fazer-se carne. Pensar este delírio e as suas consequências talvez abra uma forma possível de ir entrando, gaguejantemente, neste tempo de Natal.


Guilherme d'Oliveira Martins

9 de dezembro é Dia Internacional da Luta Contra a Corrupção. Numa sociedade respeitadora da moral e do direito, compreende-se que haja uma preocupação especial com o tema da corrupção e com a necessidade de haver regras claras e mecanismos eficazes para a defesa e salva-guarda do interesse público e do bem comum. Prevenir a corrupção significa não cair na ilusão da invulnerabilidade e criar mecanismos de permanente avaliação dos riscos e assumir plenamente a transparência e a responsabilidade cidadã, como modo de respeito integral pela dignidade da pessoa humana. Só pela prevenção será possível armarmo-nos contra a corrupção e salvaguardarmos o bem comum e o serviço público. 


Manuela Pinto

Deve a prostituição ser regulamentada e o lenocínio deixar de ser crime? O que está em causa é apenas o exercício do direito de liberdade sexual e o direito de explorar uma atividade comercial que tem por base a prostituição ou estamos perante uma questão de dignidade humana? O que está na origem deste fenómeno, que é também um negócio muito lucrativo? O presente ensaio pretende oferecer uma visão de conjunto sobre a complexidade e a importância destas questões, nomeadamente no que toca à dignidade, à liberdade e ao facto de a prostituição ser ou não trabalho e de ser ou não trabalho digno. Aborda-se também o enquadramento legal, a jurisprudência em Portugal e soluções jurídicas seguidas noutros países da Europa. Por fim, apresentam-se propostas de solução para um problema que atinge camadas da população mais vulnerável, em situação de exclusão social e de pobreza


Sónia da Silva Monteiro

O que significa perdoar diante da realidade devastadora dos abusos sexuais cometidos na Igreja? A crise que ela atravessa impõe uma reflexão séria sobre como vivemos e entendemos o perdão, sobretudo, no contexto cristão. Apesar de ser uma palavra que escutamos com frequência, nem sempre a entendemos da mesma forma. Para uns, trata-se um dever moral cristão, para outros, implica o arrependimento, para outros ainda, significa esquecer ou compreender e acolher o pecador. Neste artigo, procura-se trazer alguma claridade a esta dimensão essencial da fé cristã, para refletir, depois, sobre a possibilidade do perdão na e da Igreja face ao escândalo dos abusos contra menores. 


António Júlio Trigueiros SJ, Inês Gato de Pinho

O historiador de arte Fausto Sanches Martins (1939-2022) foi o pioneiro da interpretação dos edifícios colegiais da Companhia de Jesus em Portugal, numa análise que conjugou a história dos edifícios, enquanto estabelecimentos, com a respetiva arquitectura. Consciente de que a sua obra estava dispersa por diferentes publicações e que algumas das suas comunicações não haviam sido divulgadas, coligiu as suas produções mais relevantes sobre a Companhia de Jesus e, em 2014, tomou a iniciativa de as editar na obra Jesuítas de Portugal 1542-1759: arte, culto, vida quotidiana. A História de Arte fica a dever-lhe um trabalho rigoroso e paciente que se constitui como referência incontornável a quantos quiserem estudar a ação pedagógica dos jesuítas portugueses.

 

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