Volume 194-2, Fevereiro 2022

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Massimo Faggioli

Em novembro de 2020, as eleições para a presidência do segundo candidato católico na história dos Estados Unidos, Joseph Biden, tinham criado muitas expectativas, tanto entre os católicos, como entre os não católicos, com vista à recuperação de uma normalidade possível. Um ano depois, algumas linhas de tendência da presidência de Biden emergiram nas relações com a Igreja nos Estados Unidos, com o Vaticano e nas políticas interna e externa. Essas linhas de tendência permitem e sugerem rever aquelas expectativas e avançar com algumas hipóteses mais amadurecidas, mesmo se ainda provisórias.


Manuel Lencastre Cardoso SJ

Na atual crise dos regimes democráticos ocidentais, com o consequente desânimo político que experimentamos, o perigo de participarmos inadvertidamente em campanhas de desinformação ou demagógicas e de assim contribuirmos para a degradação das instituições democráticas é real. Não podemos, pois, ser apáticos na forma como exercemos a nossa cidadania. Uma atitude de apoio acrítico às nossas atuais instituições seria infantil e inadequada à democracia constitucional que construímos. Mas destruir as instituições que temos, em vez de as reformar, pode colocar-nos nos antípodas daquilo que queríamos obter. A informação difundida numa comunidade política tem impacto direto no modelo de sociedade em que se vive. Aquilo que leio, oiço, partilho constrói, à minha volta, o mundo em que quero viver.


André Costa Jorge, Filipe Doutel

Uma resenha das últimas décadas do acolhimento de refugiados na União Europeia (UE) e em Portugal. Começando por lembrar a origem do conceito atual de refugiado, analisa-se o contexto jurídico europeu, os diferentes processos de acolhimento-chegada de um refugiado à UE e os números do acolhimento nos últimos dez anos. No que se refere a Portugal, o aumento de pedidos de asilo acompanhou o que aconteceu na UE. No que diz respeito às vias de acolhimento voluntário, verifica-se um peso relativo maior que a sua dimensão. Ainda assim, no total de acolhimento de refugiados, Portugal encontra-se, apenas, em vigésimo primeiro lugar.


Maria Amélia Martins-Loução

Desde a constituição da ONU, no fim da Segunda Grande Guerra, as questões ambientais, a par dos problemas sociais e económicos, têm estado na agenda política que tem mostrado recetividade em estabelecer iniciativas que estimulem a colaboração de especialistas dentro dos diferentes Estados Membros. Aborda-se ainda o entorno global e histórico de algumas destas reuniões que mais marcaram a evolução do conhecimento sobre os impactes negativos da intervenção humana no planeta. Para além do clima, aponta-se a perda de biodiversidade que exige uma ação global e concertada, tanto mais que ambos os problemas estão interligados.


Filipa Iglesias

Nas últimas décadas, a tecnologia transformou todos os domínios da vida das pessoas de uma forma que era impossível antecipar, erguendo pontes de comunicação, mas potenciando riscos devido à facilidade e à velocidade de circulação descontrolada de informações de natureza pessoal. De repente, a situação pandémica veio acelerar ainda mais o ritmo dessa digitalização. Esta evolução exige um quadro de proteção de dados sólido e gerador da confiança necessária ao desenvolvimento da economia digital, no qual as pessoas singulares deverão poder controlar a utilização que é feita dos seus dados pessoais. O direito à privacidade é hoje reconhecido como um direito humano universal, impondo um limite aos eventuais abusos sobre a esfera privada da pessoa humana face à crescente ameaça à privacidade e à intimidade.


João Duque

Salvar a fraternidade, juntos é um projeto internacional, promovido por um conjunto de teólogos e de filósofos, do qual faz parte o autor. Na forma de apelo dirigido a todos os humanos, cristãos ou não, destina-se a promover um debate aberto sobre o presente e o futuro da humanidade. Apresenta-se com o propósito de promover um pensamento crítico e hospitaleiro, aberto às múltiplas transformações sociais e à pluralidade de linguagens e de saberes, contra os fantasmas da divisão e do relativismo que ferem a comunidade humana e das fórmulas religiosas incapazes de gerar afetos e laços humanos. Na fraternidade identifica-se o elemento que acomuna todos os seres humanos e que urge salvar. Neste artigo, tecem-se algumas considerações a propósito da iniciativa intelectual dirigida “à fé e ao pensamento”, pretendendo impulsionar eventuais debates no nosso país, como contributo para algo que a todos diz respeito.


Rui Fernandes SJ

Parte-se da pergunta “será que Deus ainda se deixa encontrar, hoje?”, começando por notar que este “hoje” é marcado, nas sociedades ocidentais, pela cultura pop e que esta poderá assinalar, não só a experiência crente, mas a própria teologia. Uma parte significativa da produção teológica sobre a cultura pop tem-se focado em questões sociológicas e culturais ou, então, numa avaliação moral dos seus conteúdos. Aqui, procura-se uma abordagem que vá noutro sentido e explore, não apenas as novas facetas da religiosidade-espiritualidade contemporânea, mas a própria questão acerca do “paradeiro” de Deus. Este artigo pretende ser “preâmbulo” a uma teologia da pop, cosido em torno da noção teológica de “revelação”. Para isso, exploram-se as parábolas de Jesus como uma chave de leitura interessante para compreender a dinâmica da revelação divina: performativa e narrativa, tocando o quotidiano, convidando a uma leitura existencial, promovendo não uma transmissão de conteúdos sobre Deus, mas um lugar, uma relação de convivência.


Cristina Castel-Branco

Nagasaki na ilha de Kyushu foi escolhida por um piloto português como localização propícia à construção de um porto que acolhesse a Nau do Trato portuguesa que rumava, anualmente, para o Japão assegurando um comércio muito lucrativo. A evangelização do Japão iniciada pelos Jesuítas, em 1549, foi providencial na fundação da cidade que, rodeando o porto, cresceu depressa acolhendo os japoneses convertidos e garantindo-lhes proteção. Nagasaki é planeada pelos Jesuítas em colaboração com os senhores locais e revela uma urbanização em que elementos portugueses e japoneses se fundem para criar a primeira cidade da globalização, em 1571. Constitui também um exemplo de cidade em que as regras cristãs se plasmaram num regulamento negociado entre as duas culturas e que a levou a um considerável sucesso celebrado num selo comemorativo dos seus 450 anos, em 2021.


Matilde Torres Pereira

Entre sombras, herbários, álbuns e assemblages, a vida de Lourdes Castro traça um percurso que se inicia na sua infância idílica na Madeira e que ganha novo lastro quando se muda para Paris nos finais dos anos 50. Lá, com os amigos, inventa uma revista com três letras que não existem no alfabeto português, a KWY, e ensaia os seus primeiros teatros de sombra em torno das estações do ano e do desenho da linha do horizonte. Regressa à Madeira 25 anos depois, onde se retira com Manuel Zimbro para a Quinta do Monte. Aí, dará continuação a um trabalho que permanecerá para sempre inacabado – o jardim de 12 mil metros quadrados que cultiva com a paciência e a persistência de um monge. Trabalhou os lugares do invisível – a luz da sombra, o contorno das plantas, as silhuetas de quem a rodeava – e, como no verso de Muselli, gravou para sempre a alegria na fachada da sua casa. Deixou-nos em janeiro, aos 91 anos.


Mário Garcia SJ

No centenário de Clepsydra, de Camilo Pessanha (1867–1926), publicada pela primeira vez em 1920, apresenta-se o livro coletivo Clepsydra 1920–2020 — Estudos e Revisões, na forma de “convite à viagem”. Aí se encontra «reunido um conjunto de ensaios, previamente comentados e cuidadosamente revistos, com o propósito de dar expressão ao trabalho de questionamento e de pesquisa que Clepsydra e o seu autor continuam a estimular». Por finalidade, aprofundar, renovar e dilatar a compreensão do homem e da obra.


Dimensões
15 x 23,4

Nr de páginas
120

ISSN
0870–7618