Volume 191-1, Julho 2020

5€Comprar Digital8€Comprar Papel

Comprar DigitalComprar Papel


José Eduardo Franco

No rol dos mais variados tipos de pecados que o P. António Vieira refere e reflete nos seus textos, nomeadamente na obra parenética, o pecado capital da inveja é um dos mais recorrentes. A inveja é apresentada, geralmente, como um dos males morais humanos mais danosos, na linha tomista da teologia moral em vigor no seu tempo. Os pecados capitais são expostos por Vieira como uma espécie de cegueira geradora de desarmonia e desordens nas relações humanas, mas a cegueira maior é a da inveja que, além de ser fonte de graves ofensas para os que são objeto deste pecado, corrói interiormente o invejoso. Algumas passagens dos sermões das “Cinco Pedras de Davi” são bem expressivas do lugar cimeiro que a inveja ocupa na hierarquia dos pecados humanos.


António Júlio Trigueiros SJ

Estão a celebrar-se vinte anos sobre a publicação de um documento da Comissão Teológica Internacional, então presidida pelo Cardeal Joseph Ratzinger, intitulado Memória e Reconciliação: A igreja e as culpas do passado, tendo em vista a celebração do Jubileu do ano 2000. A leitura desse documento torna-se particularmente relevante e orientadora no momento presente em que estamos a assistir a uma onda de revisionismo histórico, que se tem exprimido de muitos modos, alguns extremados, num juízo frequentemente descontextualizado sobre figuras e instituições de incontornável importância histórica.  Os três princípios ali enunciados (consciência, historicidade e mudança de paradigma) revestem-se de uma especial pertinência no debate a que estamos a assistir.


Miguel Magalhães

A crise provocada pela pandemia de COVID-19 veio pôr a nu as fragilidades estruturais, e históricas, do sector cultural - não só em Portugal, como no resto do mundo. O sector artístico, será necessariamente um dos mais afetados por uma pandemia que restringe o contacto social e a circulação de pessoas. O exemplo de assertividade do governo alemão, as medidas implementadas em França e a situação e possibilidades de Portugal (tendo em conta a limitação de recursos disponíveis) são aqui alvo de análise, na tentativa de responder à pergunta   que políticas culturais para o "dia seguinte"?


Maria João Avillez

Francisco Sá Carneiro faria anos a 19 de julho. Nasceu em 1934 e morreu a 4 de dezembro de 1980. Não quis ser um santo, não foi um herói, não é um mito. Não foi um político consensual, um chefe permanentemente amado, nem um homem livre de controvérsia. Esteve muitas vezes cercado, foi muitas vezes incompreendido. Mas, talvez melhor que ninguém, percebeu aquela máxima de D. João II que nos ensina que “há tempos de coruja e tempos de falcão”. O último quadro que comprou foi uma tela do pintor D’Assumpção que se chamava “Destino”.


Nuno Cardoso da Silva

O problema da criação de uma união política na Europa está sobretudo na impressão que muitos têm de que essa união só pode ser feita segundo o modelo federal. União política e Estados Unidos da Europa parecem ser sinónimos, e como a solução federal não parece ter o apoio da maioria dos europeus poder-se-ia concluir que a Europa estaria condenada a nunca se unir politicamente. E, portanto, a ficar para sempre numa situação de subordinação relativamente aos Estados Unidos da América. Mas basta rever o projeto consubstanciado no Plano Fouchet para se perceber que uma união política seria possível sem o carácter e os problemas da solução federal.


Pedro Vaz Patto

Hoje, mais do que nunca, a globalização e os fluxos migratórios são fenómenos incontornáveis que colocam lado a lado, inevitavelmente, pessoas de cultura cristã ou ocidental e de cultura islâmica. Tudo o que possa favorecer a construção de pontes entre elas só pode favorecer a paz e a harmonia das nossas sociedades europeias e do mundo em geral. É, precisamente, por isso que o Documento sobre a Fraternidade em prol da Paz Mundial e da Convivência Comum assinado em Abu Dhabi, a 4 de fevereiro de 2019, pelo Papa Francisco e pelo Grande Imã da universidade Al-Azhar, é tão importante. A partir dele, pode gerar-se uma aliança entre cristãos e muçulmanos que acreditam na paz, na fraternidade universal e na liberdade religiosa, rejeitando qualquer instrumentalização da religião para justificar a violência. Ele serve até de fundamento para condenar a perseguição aos cristãos em nome do Islão.


Luís Ferreira do Amaral SJ

Em tempos de pandemia, entre tantas outras questões que se levantam, é natural que questões teológicas possam também surgir. Uma ou outra vez se ouve a pergunta: será a Covid-19 uma espécie de punição ou castigo enviado por Deus? Ou será simplesmente mais um exemplo da destruição que as forças cegas da Natureza podem causar no nosso mundo? De uma forma ou de outra, como poderá Deus permitir tal situação? Mesmo sabendo que, para questões grandes como estas, nunca é possível encontrar respostas totalmente satisfatórias, podemos ainda assim procurar aprofundar o entendimento que uma perspetiva crente pode ter sobre estes temas e, graças ao desenvolvimento das ciências empíricas, dispomos hoje de mais informação sobre o mundo em que vivemos.


Vasco Pinto de Magalhães SJ

Na Exortação Apostólica Querida Amazónia o Papa Francisco, formulou quatro grandes sonhos que a Amazónia lhe inspira. Esses sonhos constituem os quatro capítulos da sua exortação: um sonho social, um sonho cultural, um sonho ecológico e, por fim, um sonho eclesial. Este quarto sonho sintetiza e concretiza os outros sonhos, partindo da raiz espiritual daqueles homens e mulheres situados naquele contexto. A exortação é um autêntico tratado sobre o segredo da evangelização, que, para o Papa Francisco, reside numa verdadeira Inculturação. Inculturação e o consequente diálogo intercultural são as palavras-chave, transversais aos quatro capítulos.


José Carlos Seabra Pereira

A existência de Luís Vaz de Camões foi marcada pela errância, quase sempre aventurosa, muitas vezes forçada e penosa.  Paralelamente, a sua obra poética – na deriva existencial e na deslocação discursiva do sujeito lírico das Rimas e do narrador e personagens d’Os Lusíadas – configura-se toda ela em experiência de viagem. Uma experiência de confronto com a diferença de lugares e gentes, a experiência de encontros e desencontros com o(s) outro(s) e sua identidade (bem diferente da enaltecida identidade nacional, supostamente configurada numa historicidade lusocêntrica). Dá-nos a percepcionar assim a experiência de que, como inferem as Rimas, reactivando com novo alcance um tópico clássico já saturado, «todo o mundo é feito de mudança».


Cátia Tuna

Uma experiência de investigação que tomou como objeto o fado através de uma análise situada entre a história religiosa e a história cultural conduziu à síntese conclusiva que aqui se apresenta. O objetivo é atender às dimensões religiosas deste género musical em diversos âmbitos, designadamente no seu contexto, na sua poética, na sua performance e na sua mundividência. O fado aqui tratado foi cantado, tocado e escutado entre os anos 1926 e 1945, período em que foi profundamente reconfigurado através de um conjunto de alterações que o aproximaram à sua forma atual. Neste ano em que se celebra o centenário do nascimento de Amália e o bicentenário do nascimento de Maria Severa, esta reflexão reveste-se de particular pertinência. 


Dimensões
15 x 23,4 cm

Nr de páginas
123

ISSN
0870-7618